Apresentação

Morte na estrada - Linoleogravura, 21 x 29,7 cm
Morte na estrada - Linoleogravura, 21x29,7cm

Este blog é o registro de um processo criativo como requisito para a conclusão da disciplina Fotografia III do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, sobre orientação da Professora Valécia Ribeiro.

A idéia surgiu a partir de viagens que realizei, nos anos de 2010 a 2012, entre os municípios de Cachoeira e São Felix com a finalidade de freqüentar as aulas do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Recôncavo. Nestas viagens me deparei com a triste realidade da mortalidade de animais silvestres nas estradas da região. São diversas espécies nativas que estão sujeitas a interferência humana nesta situação que é apontada por especialistas como uma das principais causas da extinção de espécies, a saber, a implantação de rodovias em habitats de animais silvestres.

Dessa observação surgiu a idéia de criar interferências nas estradas com a finalidade de chamar atenção dos usuários das estradas quanto a este problema ambiental causado pela a ação do homem, mostrando seus efeitos através dos corpos nas estradas.

Um outro fato que é observado nas estradas da região é a ocorrência de carcaças de carros abandonados ou, como se diz, desovados nas estradas, provavelmente pela ação de quadrilhas que praticam a eliminação de provas de roubos de carro ou pela ação dos próprios proprietários que tentam fraudar seguros a fim de receber idealizações por perda total do veículo.

Ora, esses carros também podem ser vistos como corpos em decomposição, só que nesse caso são inorgânicos, que não atraem as espécies carniceiras, que colaboram no processo de decomposição de organismos em putrefação.

Conceito

O conceito deste trabalho aborda a rotina de viagens realizadas por mim entre Lauro de Freitas e Cachoeira. Neste sentido, imagens repetidas de um itinerário muitas vezes percorrido se sobrepõem, embaralhando a nossa visão. Na velocidade do trajeto não percebemos as singularidades passageiras, que apesar de marcarem a nossa memória se tornam fugidas, e rapidamente são substituídas por novas imagens que sobrepõe-se às anteriores e que rapidamente são substituídas novamente. 

Nessa velocidade de sobreposições, não nos damos conta do inusitado, do trágico ou bizarro, nem sequer do sublime ou do poético. Situações que nos afetam sem que percebamos. Que nos tocam por um breve momento, sem desviar a nossa atenção, sem mudar o foco da nossa atenção. Histórias deixadas para trás, singularidades esquecidas no fundo do nosso inconsciente, difíceis de serem recuperadas, descritas ou narradas.

Poética

Busquei nesse trabalho uma poética do transitar. Um olhar sobre corporeidades, tanto orgânicas quanto inorgânicas, ignoradas ao longo desse trajeto percorrido diariamente, causar um estranhamento do olhar na revelação dessas singularidades que são facilmente esquecidas pela memória e que não permanecem em nossas lembranças pela repetição exaustiva de um percurso.

Objetivos

Este trabalho busca revelar essa singularidade esquecida no decorrer deste trajeto tantas vezes percorrido, recuperar, no meio desse embaralho, o trágico e o poético. Fixar em nossas memórias o que é passageiro, o que não impregna a nossa lembrança, o que nos afeta mas não nos toca.

Informações Técnicas

A video arte Corpos na Estrada foi captada com uma câmera PD170 da Sony, utilizando mídias miniDV. Essa câmera utiliza o formato SD (Standard Definition) com resolução de 720x480px. Dessa forma, este trabalho rompe a barreira da obsolescência programada imposta pela industria, ignorando assim a atual exigência das produções em vídeo, que impõe o formato HD (High Definition) aos produtores de obras audiovisuais. Foram feitos 5 registros durante viagens de Lauro de Freitas para Cachoeira, com 2 horas de duração cada uma. Na primeira versão foram usadas as imagens do percurso entre a BR324 e a cidade de Cachoeira, cobrindo 50Km do total de 120Km entre as duas cidades. Foi necessário desenvolver um meio para diminuir a trepidação da câmera, para isso utilizei dois recursos, o primeiro foi prender a correia de suporte da câmera em uma outra correia presa aos suportes de mão no teto do carro, a outra foi a utilização de um tripé como suporte da câmera. Esse segundo recurso acabou se mostrando o mais eficaz. De qualquer forma, foram utilizadas todas as imagens na montagem, o que resultou em uma edição que em alguns momentos indica a precariedade da captação.

A montagem do vídeo foi feita com o software Apple Final Cut 7, em um computador Apple Mac Book Pro processador Intel Core Duo de 2GHz com 2GB de memória RAM, a mídia foi capturada em um HD externo Expansion de 500GB utilizando conexão USB 2. Por se tratar de uma máquina do ano de 2007, que também se encontra próxima a obsolescência, optei por uma edição que não utilizou filtros a fim de reduzir o tempo de renderização. Foram utilizados recursos de sobreposição de camadas de vídeo, alternado a opacidade para gerar um efeito de profundidade. Para completar o material editado, utilizei imagens disponíveis na rede social YouTube, cujos autores são indicados nos créditos finais do vídeo. 















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